Noticia del Correio Popular (ver) sobre Educación Diferenciada.

A educação diferenciada foi o tema em destaque no II Seminário Educar Participando, realizado no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no sábado (10). O tipo de organização escolar propõe ensino e metodologias que levem em conta as diferenças e particularidades entre meninos e meninas. Fundamentados na neurologia, psicologia do desenvolvimento, endocrinologia genética e sociologia, pesquisadores da área apontam disparidades entre cada sexo que deveriam ser levadas em conta no momento do aprendizado. O evento reuniu cerca de 280 pessoas, entre profissionais da educação e pais.

“Hoje, na minha opinião, seria uma injustiça não aplicar o ensino diferenciado, porque sabemos que as diferenças existem”, afirmou a conferencista internacional Elizabeth Vierhller, presidente da ALCED Argentina — Associação Latinoamericana de Centros de Educação Diferenciada —, que abriu o evento. Segundo Elizabeth, que argumentou que suas afirmações “estão longe de ser sexistas”, nesse tipo de educação o conteúdo apresentado para ambos os gêneros é sempre o mesmo, mas é a abordagem que se adequa às características próprias dos meninos e meninas, que podem ficar em salas separadas ou mesmo em escolas exclusivas.

“Mas, é claro, apenas separar os alunos por classes ou mesmo por escolas não garante nada. É preciso que os professores adotem um método que lide com as especificidades de seus estudantes”, disse. Ainda segundo ela, cabe aos educadores estipular os momentos de socialização entre meninos e meninas.

Para o juiz de Direito da 2ª Vara Cível e de Família da Comarca de Sumaré, André Fernandes, que fez a mediação do seminário, discutir o tema já é um primeiro passo para que ele ganhe força no Brasil. “É importante ressaltar que esse tipo de ensino é mais uma opção que os pais têm quando vão pensar na educação do seu filho, mas não é a regra. Cabe ao pais perceberem o perfil da criança e detectarem se ela se adequa nesse tipo de ensino”, explicou Fernandes.

O jurista brasileiro Ives Gandra Silva Martins, presidente do Conselho da Academia Internacional de Direito e Economia, falou sobre o tema Educação e a Transformação da Sociedade. Para ele, a educação diferenciada é uma possibilidade que precisa ser levada em conta, mas há dificuldades para que esse tipo de ensino seja empregado no País já que, dentre vários problemas que a educação brasileira enfrenta, a adoção de uma grade muito teorizada é um ponto negativo, que deixa de lado o ensino mais humanizado.
Para a oficial de Justiça Inara Lopes, de 35 anos, mãe do pequeno Otávio, de 5, que tem algumas aulas em classes separadas, a educação diferenciada é necessária. “Acredito que os meninos precisam de aulas mais dinâmicas.”

O professor de oficina de linguagem e produção de texto Eduardo Gama, que leciona no colégio Nautas, trabalha com classes separadas. “Os resultados são muito bons, principalmente nas aulas de leitura. Com os meninos, que muitas vezes não gostam tanto de ler, procuro escolher livros que terão mais apelo entre eles”, afirmou.